UNESCO APRESENTA NO URUGUAI LOCAL DE UM PASSADO JUDAICO ESQUECIDO17 de setembro de 2012 1 VoteA pequena cidade histórica Colônia del Sacramento lentamente está descobrindo vestígios e detalhes de Judeus do Porto que fugiram da perseguição na Península Ibérica e, que lentamente foram assimilados no Novo MundoCOLONIA DEL Sacramento, Uruguai – Na extremidade sudoeste do Uruguai, a pequena cidade histórica Colônia del Sacramento está assentada sobre estradas de paralelepípedos e nas margens do estuário do Rio da Prata com uma tranquilidade só adquirida pela idade.Após a sua fundação em 1680, Portugal e Espanha disputaram por mais de um século este centro empreendedor de comércio. Hoje, é considerada como Património Mundial pela UNESCO, e é uma homenagem à sua antiga grandeza.Na mesma área, com muralhas e ponte levadiça da fortaleza, visitada por turistas, alguns vestígios do passado sugerem que o local não só estabeleceu a presença regional dos poderes coloniais, mas, na verdade, teve um papel na história judaica.Debaixo de uma escada no Posada Plaza Mayor Innna parte velha da cidade, vários rabinos e os visitantes confirmaram a existência de um mikveh de pedra que remonta aproximadamente ao ano de 1722.Embora as raízes judaicas desta Colônia não fossem estudadas tanto quanto as de outras cidades da América do Sul ou do Caribe, Dolores Sloan, presidenta da Sociedade de Estudos Crypto-Judaicos, reconhece que as descobertas fazem sentido, considerando a história dos judeus sefaradim do Porto no mundo Atlântico.“Quando ruínas são desenterradas, a presença do que poderia ser um mikveh muitas vezes identifica o local como tendo sido uma sinagoga”, diz Sloan.Judeus do Porto, um termo originalmente usado por Lois Dublin para descrever os comerciantes judeus que viviam nas cidades portuárias chave do Mediterrâneo e do Atlântico, desempenharam um papel estratégico no comércio exterior e ajudaram a formar redes de comércio e movimentação de mercadorias ao longo do século 16. Por exemplo, judeus de Amsterdam se instalaram no Recife, uma cidade portuária bem conhecida no Brasil, como uma colônia holandesa em 1630 e conservaram seus laços com a sua cidade natal.Em Colônia, diz Fabricio Prado, professor de história colonial da América Latina no The Collegeof William and Mary, os Judeus do Porto eram cristãos-novos, ou ancestrais dos judeus espanhóis e portugueses que se converteram ao catolicismo durante a Inquisição na Península Ibérica, ou então os cripto-judeus que praticavam o judaísmo em segredo e nunca se assimilaram completamente.“Os Judeus do Porto foram para Colônia principalmente porque lá tiveram maior liberdade para assumirem posições de destaque social”, diz Prado, e menciona que os comerciantes judeus desempenharam um papel econômico importante no envio da prata que havia sido extraída de minas no interior da América do Sul para todas as partes do globo.Correspondências comerciais também indicam que o vice-rei que governava a colônia mantinha fortes laços com as comunidades judaicas de Londres e Amsterdã, onde os judeus sefaradim haviam procurado refúgio das perseguições religiosas na Espanha e Portugal.Como Nelsys Fusco-Zambetogliris explica em um estudo publicado no Jornal Americano de Arqueologia, as cerâmicas escavadas da Colônia del Sacramento são iguais às descobertas no bairro judeu de Amsterdam entre os séculos XVII e XVIII.“Havia sempre uma parte que faltava no quebra-cabeça histórico e a peça era a presença de judeus”, afirma Gustavo Alberto Pintos Lareo, historiador e guia turístico em Colônia e que vem pesquisando o assunto há mais de uma década.Lareo revela que a parte superior de um batente na bem conhecida Calle de los Suspiros, ou Rua dos Suspiros, tem o contorno de uma mezuzá, e uma placa indicativa de informação pode confundir os restos de uma segunda mikveh na frente das ruínas da casa do governador, com a base de uma torre de vigia.Em Colônia del Sacramento, ou Colônia do Sacramento, no entanto, os cripto-judeus começaram lentamente a se assimilar com os cristãos do Novo Mundo e a identidade e as tradições sefardim desvaneceram com as gerações até quando leis mais tolerantes no Uruguai atraíram uma nova onda de imigrantes para a região do Rio de la Plata no século 19.Como um testamento à onda de imigrantes, em um quarteirão tranquilo há uma sinagoga cuja construção remonta a 1880. Mas este prédio vazio apenas sussurra o mais recente capítulo da narrativa das idas e vindas dos judeus de Colônia. Apesar do segundo influxo de imigrantes, quase não parece existir um traço de vida judaica na cidade. As portas da sinagoga permanecem trancadas e uma padaria, uma loja de roupas e um bar com o nome de Exótica ocupam este espaço nas últimas décadas.Séculos depois que esta porta de entrada para o Atlântico foi conquistada e reconquistada e navios zarparam do seu porto, alguns vizinhos da antiga sinagoga conhecem apenas a história judaica da Colônia como sendo uma lenda.Fonte: enviado via e-mail por: RUA JUDAICA 14-09-2012*JUDAISMO*SIONISMO*HUMANISMOGostar disso:GosteiSeja o primeiro a gostar disso.Categoria : Herança JudaicaTags : 1630, 1680, Amsterdam, colônia del sacramento, cristãos novos, Crypto-judeus, Espanha, Holandeses, judeus do porto, mezuzá, mikveh, Portugal, Posada Plaza Mayor, Recife, Rio da Prata, século 16, sinagoga de 1880